terça-feira, 18 de maio de 2010

Comitê sino-brasileiro anuncia o fim das operações do satélite CBERS-2B

Após fornecer milhares de imagens do Brasil e China, além de países da América do Sul e até da África, o CBERS-2B teve suas operações dadas como encerradas pelo JPC, sigla em inglês para Comitê Conjunto do Programa CBERS, que esteve reunido nesta terça-feira (11/05) no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

Lançado em 19 de setembro de 2007, o satélite foi construído a partir de equipamentos e peças remanescentes do CBERS-2 e tinha vida útil estimada em dois anos. O CBERS-2B gerou aproximadamente 74.000 imagens com a câmera CCD, 11.000 com a WFI e 300.000 com a HRC, apenas sobre a América do Sul. O total de órbitas percorridas – voltas em torno da Terra – chegou a 13.000. Foram distribuídas gratuitamente cerca de 270.000 imagens deste satélite a usuários brasileiros e outras 60.000 a usuários de mais de 40 países. Todas as imagens geradas pelo CBERS-2B podem ser acessadas sem custo pela internet: http://www.dgi.inpe.br/CDSR.



Técnicos brasileiros e chineses tentavam restabelecer a operação normal do CBERS-2B desde março, quando verificados os primeiros problemas no satélite, o terceiro lançado pelo Programa CBERS - sigla para China-Brazil Earth Resources Satellites; em português, Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres.



Em 16 de abril os centros de controle brasileiro e chinês não conseguiram estabelecer contato com o CBERS-2B e, desde então, o satélite tem enviado sinais intermitentes que indicam falta de energia. Como as chances de se restabelecer o funcionamento normal são mínimas, a Agência Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST) e o INPE, responsável no Brasil pelo Programa CBERS, deram como encerrada a vida útil do CBERS-2B.



O próximo satélite do programa CBERS será o CBERS-3, que tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Primeiro da segunda geração de satélites desenvolvidos pela parceria sino-brasileira, o CBERS-3 marcará uma evolução em relação aos CBERS-1, 2 e 2B. Assim como o CBERS-4, que deve ser lançado em 2014, o CBERS-3 será mais sofisticado e terá quatro câmeras imageadoras, enquanto os anteriores contavam com três.



O encerramento da operação do CBERS-2B reduz o número de imagens utilizadas em programas como PRODES e DETER, que monitoram o desmatamento na Amazônia. A continuidade dos programas é garantida pelo uso de imagens dos satélites americanos TERRA/MODIS e LANDSAT-5, e do indiano RESOURCESAT. Mesmo operando em condições não ideais, o INPE continuará a fornecer os dados necessários ao monitoramento do território brasileiro.



O Programa CBERS



Os satélites do Programa CBERS são resultado do acordo, assinado em 22 de agosto de 1988, entre a Academia de Tecnologia Espacial da China (CAST) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Este primeiro acordo de cooperação previa o desenvolvimento e construção de dois satélites de sensoriamento remoto.



O CBERS-1 foi lançado em outubro de 1999 e já em 2002 foi assinado novo acordo para a continuação do programa, estabelecendo a construção de dois outros satélites - os CBERS-3 e 4, com novas cargas úteis - e a divisão de investimentos em 50% para cada país (nos primeiros satélites a divisão foi de 70% para a China e 30% para o Brasil).



O lançamento do CBERS-2 aconteceu em outubro de 2003. Este satélite manteve suas operações até o início de 2009.



Em 2004, para abreviar o tempo entre o final da vida útil do CBERS-2 e o lançamento do CBERS-3, Brasil e China decidiram construir a partir de equipamentos e peças remanescentes dos primeiros satélites o CBERS-2B, que foi lançado em setembro de 2007 e agora encerra suas operações.



Dados CBERS como bens públicos globais



O CBERS é um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul na área de alta tecnologia e um dos pilares da parceria estratégica entre o Brasil e a China. Em abril deste ano foi assinado o memorando de entendimento que definiu a política de dados CBERS, tornando global a distribuição gratuita de suas imagens e consolidando o Programa como um importante instrumento de cooperação para políticas ambientais internacionais.



O objetivo é proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de dados de satélites, que servem para melhor monitorar o meio ambiente, avaliar desmatamentos, áreas agrícolas e desenvolvimento urbano, entre outras aplicações.



O INPE iniciou em junho de 2004 a distribuição gratuita pela internet de dados de satélite para usuários brasileiros. Com o apoio do parceiro chinês, os dados passaram a ser oferecidos da mesma forma também a países da América Latina e, mais tarde, ao continente africano. A atual política de dados permitirá que os dados dos próximos satélites sino-brasileiros possam ser livremente distribuídos a outros países.



Mais informações no site www.cbers.inpe.br.
Fonte INPE.
Imagem Belém(PA).

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